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Grande Festa Popular

Fapir organiza Grande Festa Popular com As Estrelas da Cornélia Assis Pacheco Carlos Fragateiro José Fanha Lucilina e Victor Maia Loureiro Pitum Tó e Clarisse Vasco Raimundo  + canções e poesia Ginásio do Clube Atlético de Campo de Ourique  07/12/1977 cartaz

José Fanha

Em 1977, está agora a fazer 30 anos, eu tinha 26 anos e participei num concurso de televisão muito, muito popular. Chamava-se “A Visita da Cornélia”. O concurso tinha sido inventado pelo Zé Fialho Gouveia e pelo Raul Solnado. E era tão popular que até tinha uma revista todas as semanas, a “Vacavisão”. Cada concorrente tinha um par. O meu par era a minha amiga Alice Brito. Cada par tinha de cumprir 10 provas. Algumas eram provas criativas como dança, teatro, quadra, texto sob um tema, canção. Essas provas eram pontuadas por um júri que era formado pelo Raul Calado, a Maria João Seixas, o Luís de Sttau Monteiro, a Maria Leonor e o Paulo Renato. Havia outras provas que não eram criativas e não tinham de ser pontuadas pelo júri: como deitar bonecos a baixo com bolas de pano, responder a perguntas sobre um romance que era obrigatório ler com antecedência, descobrir diferenças entre dois desenhos aparentemente iguais, etc. O concorrente mais bem pontuado ia para um...

Golpe de teatro no pódio da "Cornélia"

Entram José Fanha e Hugo Maia Loureiro para o pódio DN, 17/08/1977

O Júri e a Polémica

"Havia um júri com posições políticas muito diferenciadas. Foi uma ideia-chave, para mostrar que todos podiam conviver, para lá das divergências de opinião", recorda Raul Solnado. A selecção dos membros do júri foi ainda mais laboriosa do que a dos candidatos, até porque eles iam ficar 26 semanas consecutivas, o que implicava, além do compromisso de disponibilidade pessoal, resistência psicológica para suportar a polémica pública que necessariamente as suas decisões haviam de provocar. Desse júri histórico, imitado mas nunca igualado, restam dois sobreviventes: Maria João Seixas e Raul Calado. Dos três outros, Maria Leonor, Paulo Renato e Luís Sttau Monteiro, permanece a saudosa memória - no sentido exacto da palavra, pois, infelizmente, dessa presença televisiva não há rasto nos arquivos da RTP. Numa das inúmeras histerias de controlo financeiro de que a história da tv pública é fértil, alguém se lembrou de economizar nas cassetes vídeo e desgravou os prog...

TV Memória

As recentes alterações à grelha da TV Cabo libertaram espaço para que surgisse no alinhamento do operador da PT um novo canal da televisão pública: a RTP Memória. A ideia, em teoria, é excelente, se nos lembrarmos das pérolas televisivas que a empresa terá no seu arquivo de décadas. Mas, na prática, o que se vê é de uma pobreza franciscana. Entrevistas com Manuel Monteiro, quando ele era ainda o recém-eleito presidente do CDS, sem um qualquer enquadramento que justificasse a repetição, jogos de futebol, sem qualquer característica especial, realizados há década e meia, debates sobre a localização da nova ponte sobre o rio Tejo, enfim, até parece que o critério foi começar a repetir sem qualquer critério, assim a modos de fazer uma busca e mandar para o ar os primeiros programas que apareceram em lista de exibição. Este é um mau serviço aos portugueses que pagam, pelo menos, 20 euros por mês pelo serviço da TV Cabo. Alegará a RTP que esta é, ainda, uma fase experimental e que, num...

Os "Heróis" e Os "Casos"

Há quem diga, e Raul Solnado corrobora, que sem Fernando Assis Pacheco a Cornélia não nos teria visitado. Jornalista no "Diário de Lisboa", "coimbrinha", afamado, poeta reconhecido, estava longe de ser uma figura anónima nos meios culturais. Por isso, quando o seu nome surgiu, no primeiro sorteio dos boletins, Solnado teve um sobressalto, pegou no telefone e ligou-lhe: - Tu concorreste mesmo? - Sabes, é a minha cunhada. Ela acha que... - E tu vens? - Vou. Solnado respirou de alívio, a primeira barreira fora ultrapassada. Havia o perigo óbvio de o programa-concurso se ficar pelas récitas de finalistas liceais, ou seja, monótonos serões familiares. De resto, ao longo das 26 emissões, muitas foram as que não saíram desse âmbito. A primeira sessão lançou o concurso, a tal ponto que o Canal da Crítica, de Mário Castrim, que tinha sérias reservas sobre o formato do programa, designadamente quanto à sua configuração competitiva e às intenções propag...

O Concurso Que Brincava com Coisas Sérias

Segunda-feira, 6 de Junho de 1977. "O Que Diz Molero", de Dinis Machado, era a referência no Sete.Sete, magazine literário do "Diário de Lisboa". Mário Soares, primeiro-ministro do I Governo constitucional, dizia "não às alianças". Recusava tanto a "convergência democrática", de Sá Carneiro e Freitas do Amaral, como a "maioria de esquerda, para sair da crise", de Álvaro Cunhal. As atenções, porém, centravam-se no serão televisivo. Ia estrear-se A Visita da Cornélia, logo a seguir à telenovela Gabriela, a do primeiro amor que nunca se esquece. Era uma aposta de risco, mas "quem quer peixe molha o cu", atalhava Raul Solnado, calando os que apontavam os pontos fracos do programa, que ele arquitectara com Fialho Gouveia. Era uma ideia que viera do Brasil, adaptada à situação que se vivia em Portugal, de profunda ressaca política. A normalidade trazida pelo 25 de Novembro de 1975 impunha-se a custo. Não havia meio...