Avançar para o conteúdo principal

TV Memória

As recentes alterações à grelha da TV Cabo libertaram espaço para que surgisse no alinhamento do operador da PT um novo canal da televisão pública: a RTP Memória.

A ideia, em teoria, é excelente, se nos lembrarmos das pérolas televisivas que a empresa terá no seu arquivo de décadas. Mas, na prática, o que se vê é de uma pobreza franciscana.

Entrevistas com Manuel Monteiro, quando ele era ainda o recém-eleito presidente do CDS, sem um qualquer enquadramento que justificasse a repetição, jogos de futebol, sem qualquer característica especial, realizados há década e meia, debates sobre a localização da nova ponte sobre o rio Tejo, enfim, até parece que o critério foi começar a repetir sem qualquer critério, assim a modos de fazer uma busca e mandar para o ar os primeiros programas que apareceram em lista de exibição.

Este é um mau serviço aos portugueses que pagam, pelo menos, 20 euros por mês pelo serviço da TV Cabo. Alegará a RTP que esta é, ainda, uma fase experimental e que, num futuro próximo, as coisas vão mudar. Pode funcionar como explicação, mas não convence ninguém.

O período experimental poderia ter sido realizado em canal fechado e ninguém garante que para fazer experiências tem que ser à custa de absurdos como os atrás descritos.

Vamos aguardar que, depois desta desconsideração, se faça luz nos responsáveis pela programação do canal e que, em tempos de exposição real, o panorama mude. Sei lá, com o Tal Canal (Herman José), com o Zip-Zip, com A Visita da Cornélia, com séries que fizeram sucesso (se é que o canal público detém os direitos de reposição).

Uma Péssima Memória - José Manuel Rocha, Público, 19/11/2004

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A Visita da Cornélia

Os portugueses, por norma, estão habituados a maldizer de tudo que nos diz respeito. A verdade é que, mesmo no tempo em que não tinha concorrência, a nossa RTP conseguia brindar-nos com belas noites de boa televisão. Houve programas que ficaram na nossa memória e que ainda hoje (os que se lembram) acham muitíssimo bons. Trata-se do Programa da RTP "A Vista da Cornélia", sendo autores Raul Solnado e Fialho Gouveia e apresentado por Raul Solnado. Foi um dos programas /concurso de maior sucesso televisivo de sempre em Portugal. O Juri era composto por Raul Calado (publicitário), Maria João Seixas (jornalista e filósofa, inesquecível pela sua gaguez), Luís de Sttau Monteiro (escritor), Maria Leonor (locutora e apresentadora da RTP) e Paulo Renato (actor). Como concorrentes salientaram-se : Vasco Raimundo (vencedor), José Fanha (Eu sou português, aqui ! ), Rui Guedes (Topo Gigio), Fernando Assis Pacheco, Gonçalo Lucena, Pitum Keil do Amaral (Egas Moniz),...

O Concurso Que Brincava com Coisas Sérias

Segunda-feira, 6 de Junho de 1977. "O Que Diz Molero", de Dinis Machado, era a referência no Sete.Sete, magazine literário do "Diário de Lisboa". Mário Soares, primeiro-ministro do I Governo constitucional, dizia "não às alianças". Recusava tanto a "convergência democrática", de Sá Carneiro e Freitas do Amaral, como a "maioria de esquerda, para sair da crise", de Álvaro Cunhal. As atenções, porém, centravam-se no serão televisivo. Ia estrear-se A Visita da Cornélia, logo a seguir à telenovela Gabriela, a do primeiro amor que nunca se esquece. Era uma aposta de risco, mas "quem quer peixe molha o cu", atalhava Raul Solnado, calando os que apontavam os pontos fracos do programa, que ele arquitectara com Fialho Gouveia. Era uma ideia que viera do Brasil, adaptada à situação que se vivia em Portugal, de profunda ressaca política. A normalidade trazida pelo 25 de Novembro de 1975 impunha-se a custo. Não havia meio...

A Filha da Cornélia

Cornélia: a segunda geração O concurso que teve mais êxito na televisão portuguesa vai regressar à RTP, muito em breve. Nascerá, então, A Filha da Cornélia. Para concorrer com concursos «que são uma chatice». Mas, na política, nada é como em 1977. «Isto agora está mais calmo». No dia em que a Quatro estreia a revelação dos concursos em Espanha, o primeiro concurso a dedicar-se ao insólito e a exigir provas de criatividade, regressa-se à memória do mais criativo de todos, nos ecrãs portugueses. A Visita da Cornélia. Enquanto a filha dela não chega. Fialho Gouveia e Raul Solnado -- a direcção da RTP com eles -- decidiram pegar na fórmula de A Visita da Cornélia e actualizá-la em versão anos 90. A Filha da Cornélia está quase a aparecer, tendo no júri o produtor Thilo Krassman, as jornalistas Catarina Portas e Inês Serra Lopes e o pintor/encenador/figurinista/egiptólogo Paulo Guilherme d'Eça Leal. Talvez o regresso não seja apenas mérito da vaca-mãe. Talvez porque um mínimo de...