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Quem esqueceu Pitum, de «A visita da Cornélia»?

Quem esqueceu Pitum, de «A visita da Cornélia»? Lira e Francisco Keil do Amaral são os anfitriões dessa e de outras ideias, que abraçam de coração aberto. Ideias ávidas do nosso convívio, pensamentos que nos batem à porta, esperando que os inventemos. Quem não se lembra de ambos, de «A visita da Cornélia», esse programa de televisão, cujo júri integrava Maria João Seixas, Raul Calado, Luís de Sttau Monteiro, Maria Leonor e Paulo Renato. E por falar neles, quem se esqueceu da Lucilina ou do Ninéu (Vítor Sobreiro), também eles próprios responsáveis pelo calor humano gerado no jantar a que nos reportamos? Muito de Assis Pacheco Só quem não viu o programa poderá ignorar essa mão-cheia de pessoas que faziam as delícias das audiências com um verdadeiro festival de imaginação e de cultura. Nesse tempo _ um abanão na RTP, uma pedrada no charco. É dessa data, de resto, o conhecimento desses dois casais e a amizade que se lhe seguiria, cuja criatividade, passados tantos anos...

Imagens Youtube

programa Portugal no Coração Youtube Lusitania TV

Um Programa do Tempo em Que Os Animais Falavam

A Visita da Cornélia foi, literalmente, um programa do tempo em que os animais falavam. A vaca tinha uma voz muito gira. Até entrevistaram a rapariga que, nos bastidores do Teatro Villaret lhe dava a voz; saíu n'"A Capital", lembro-me bem. A vaca de madeira aparecia no palco mas deixou de ter uma certa utilidade que lhe deram no início. O engraçado no programa é que a vaca realmente não servia para nada e não se relacionava com o concurso, as equipas de concorrentes e o júri. Grandes novidades vieram com este concurso: uma certa criatividade da classe média (o Pitum, o José Fanha...), um novo à-vontade desenvergonhado da classe média com a televisão, a participação activíssima dos jurados, e provas que eram ao mesmo tempo divertidas e criativas. A apresentação também era muito boa. Os cinco membros do júri transformaram-se em estrelas. E a interacção entre os jurados - e os épicos choques entre alguns deles - era tão atractiva como as próprias provas ...

Grande Festa Popular

Fapir organiza Grande Festa Popular com As Estrelas da Cornélia Assis Pacheco Carlos Fragateiro José Fanha Lucilina e Victor Maia Loureiro Pitum Tó e Clarisse Vasco Raimundo  + canções e poesia Ginásio do Clube Atlético de Campo de Ourique  07/12/1977 cartaz

José Fanha

Em 1977, está agora a fazer 30 anos, eu tinha 26 anos e participei num concurso de televisão muito, muito popular. Chamava-se “A Visita da Cornélia”. O concurso tinha sido inventado pelo Zé Fialho Gouveia e pelo Raul Solnado. E era tão popular que até tinha uma revista todas as semanas, a “Vacavisão”. Cada concorrente tinha um par. O meu par era a minha amiga Alice Brito. Cada par tinha de cumprir 10 provas. Algumas eram provas criativas como dança, teatro, quadra, texto sob um tema, canção. Essas provas eram pontuadas por um júri que era formado pelo Raul Calado, a Maria João Seixas, o Luís de Sttau Monteiro, a Maria Leonor e o Paulo Renato. Havia outras provas que não eram criativas e não tinham de ser pontuadas pelo júri: como deitar bonecos a baixo com bolas de pano, responder a perguntas sobre um romance que era obrigatório ler com antecedência, descobrir diferenças entre dois desenhos aparentemente iguais, etc. O concorrente mais bem pontuado ia para um...

Golpe de teatro no pódio da "Cornélia"

Entram José Fanha e Hugo Maia Loureiro para o pódio DN, 17/08/1977

O Júri e a Polémica

"Havia um júri com posições políticas muito diferenciadas. Foi uma ideia-chave, para mostrar que todos podiam conviver, para lá das divergências de opinião", recorda Raul Solnado. A selecção dos membros do júri foi ainda mais laboriosa do que a dos candidatos, até porque eles iam ficar 26 semanas consecutivas, o que implicava, além do compromisso de disponibilidade pessoal, resistência psicológica para suportar a polémica pública que necessariamente as suas decisões haviam de provocar. Desse júri histórico, imitado mas nunca igualado, restam dois sobreviventes: Maria João Seixas e Raul Calado. Dos três outros, Maria Leonor, Paulo Renato e Luís Sttau Monteiro, permanece a saudosa memória - no sentido exacto da palavra, pois, infelizmente, dessa presença televisiva não há rasto nos arquivos da RTP. Numa das inúmeras histerias de controlo financeiro de que a história da tv pública é fértil, alguém se lembrou de economizar nas cassetes vídeo e desgravou os prog...